quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Mulherzinha ou macha?


Tem que ser muito macha para conseguir ser mulherzinha. Por favor, não me entenda mal. “Mulherzinha” não é um termo pejorativo. Eu sou mulherzinha com muito orgulho. Choro em filmes de amor, choro no “Lar Doce Lar”, choro no “Arquivo Confidencial”, choro em eliminação do BBB, choro quando me machuco, choro quando fico doente, choro de emoção, choro de tristeza. Sou uma chorona.
Eu sou mulherzinha. Gosto de estar arrumada, cheirosa, com a depilação em dia, com a sobrancelha feita, com a olheira escondidinha. Pequenos mimos me fazem imensamente feliz, preciso que ele me abrace quando a TPM me arrebenta, nunca consigo abrir potes de pepino em conserva sozinha, tenho medo do escuro, não suporto aranhas e considero lagartixas os bichos mais asquerosos que já habitaram este mundo.

Acho muito educado quando ele puxa a cadeira e me sinto uma lady quando ele abre a porta do carro. Mas sou macha o suficiente para fazer tudo isso sozinha e ainda matar baratas, trocar lâmpadas e abrir garrafas de vinho.
Espantada, constato que muitas mulheres gostam da segurança, da boa vida e dos cartões de crédito de seus pares. Já ouvi muita mulher dizer preciso-de-joias-só-vou-em-restaurante-caríssimo. Eu adoro a vida boa. E faço questão de pagar por ela. Mesmo que fique no vermelho. Mesmo que tenha que economizar no resto do mês. Gosto de me sentir segura na cama, quando deito e sinto aqueles braços me envolvendo. Então, respiro fundo, suspiro e durmo em paz.
Gosto de ter com quem compartilhar a vida, as inseguranças, as coisas boas e os problemas cotidianos. Gosto de ter alguém para dar o coração. Gosto de ter alguém que nunca faça com que eu me sinta boba ou burra. Gosto de ter alguém que me respeite. Gosto de emprestar o colo e fazer cafuné. Gosto de levar café na cama. Gosto de dançar junto no meio da sala, com o janelão da sacada aberto e a música invadindo outros apartamentos. Gosto do gosto dele. E do jeito que ele me olha. Gosto do jeito que ele cabe em mim, da forma como eu me encaixo nele.
Gosto da independência. A melhor coisa do mundo é poder pagar pelas minhas bolsas, pelo papel higiênico, pelo anticoncepcional, pela conta de luz, pelo telefone. Acho muito legal casais que dividem a cama, a mesa, o banho e o aluguel. É importante, é maduro, é essencial. Não sou nada fresca, se tiver que sentar no chão eu sento, se tiver que limpar a casa eu limpo, se tiver que bancar todas as contas da casa eu banco.
Sou uma mulherzinha cara, meu coração e meu caráter são meus bens mais valiosos. Sou uma macha barata, gosto de bons restaurantes e brincos de ouro, mas um cachorro-quente feito com amor e aqueles brincos vendidos na beira da praia de Ponta Negra já me fazem feliz.
O que sempre importou (e vai importar) para mim é a lembrança, o cuidado, o carinho, o gesto. O resto é o resto.
(Clarissa Corrêa)

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